Bate papo com Ramon Goulart - por Fabio Justtino
Publicado por L-ton "O.S.K" em 02 Out 2008 | sob: NEWS

Suas canções são verdadeiras poesias, uma mistura deliciosa de talento e dom de Deus. Este mineiro chamado Ramon Goulart mistura de tudo um pouco (black, mpb, samba) e o resultado é a talentosa música brasileira cristã, artigo raro nas “paradas de sucesso” das nossas FM’s, mas se alguém acaba perdendo (ou deixando de ganhar) são aqueles que se limitam a conhecer e ouvir apenas o “comercial”. Através deste bate-papo saiba um pouco sobre Ramon Goulart e sua música genuinamente cristã.
Gospel Beat – Quem chegou primeiro na vida de Ramon Goulart: Jesus Cristo ou a música?
“Bom, quando nasci meu pai e minha mãe não eram cristãos. Com quatro anos de idade contraí infecção urinária usando a mesma roupa de um priminho meu, esta doença contaminou meu sangue. Na época o chefe do meu pai sugeriu que meus pais fossem a igreja, como já haviam tentado tudo aceitaram o convite, entregaram suas vidas a Cristo e pela graça de Deus fui curado. Nesta época a música já tinha chegado querido! (risos), meu pai era baterista profissional, meu avô era percussionista e baterista, meu bisavô era africano da tribo dos bantas e batia tambor na África antes de vir pro Brasil. Com 3 anos eu já acompanhava as músicas na radiola com minha gaitinha, batia panelas e como diz minha mãe eu dormia encostado na caixa de som da radiola, curiosamente disto me lembro, porém meu estudos iniciaram pra valer aos 8 anos e comecei com bateria é claro, aos 12 anos tive de estudar violão, uma regra imposta pela minha mãe, só poderia continuar estudando bateria se estudasse violão 1 h todos os dias”.
Gospel Beat – Como surgiu a idéia de cantar para Deus com um estilo tão diferente, a MPB cristã?
“Cara, eu estava no terceiro período do seminário (formação de pastores) foi lá que tudo mudou em minha vida, tinha 22 anos, estava estudando, lendo sobre a imensidão de Deus no Salmo 139:6 - “tal conhecimento é maravilhoso demais para mim, é SOBREMODO ELEVADO…” eu surtei… comecei a chorar cara… vi que nunca tinha sido cristão realmente, tudo ficou claro, a morte de Cristo, quem Deus é e quem eu era: pecador, miserável, perdido. Chorando, peguei o violão que estava ao meu lado e então compus a minha musica que uniu tudo isto aí, o nome dela é SOBREMODO ELEVADO, escrevi esta canção aos prantos, letra e música, tão logo entendi o porque do seminário, o porque do pastorado e da música em minha vida, não tinha entendido, Deus queria que fosse tudo ao mesmo tempo. Descobri que não existia nenhuma teologia escrita por brasileiros e percebi que a maioria das obras eram traduções de estrangeiros, percebi que no campo da música a situação era a mesma. Mergulhei em MPB, brasilidades em geral, modas de viola. Entendi que deveria ser brasileiro com minha música e a igreja também deveria entender e amar isto que ela é, valorizando nossa brasilidade tão linda e amada pelos estrangeiros, foi então que se uniram: teologia, música brasileira, poesia e de lambuja veio à arte… já que larguei belas artes pra ir fazer seminário. Uso a arte nos encartes, fotos e meus logotipos”.
Gospel Beat – Seu estilo de música é muito diferente ao que as pessoas estão acostumados a ouvir e comprar, o fato de não seguir a “tendência” do mercado dificulta um pouco a divulgação do seu trabalho?
“Depois daquele encontro não pensei em mais nada, tenho composto e seguido este caminho, tenho consciência que estou exatamente na contra mão do mercado, mas não me preocupo com isto porque sei que se o salmista DAVI vivesse em nosso tempo com certeza seus salmos também não seriam “sucesso”, acho que a fidelidade do artista e músico deve ser a palavra de Deus e tudo o que ela norteia, fidelidade no conteúdo, mesmo que o conteúdo não fale sobre Deus, já que a música pode ser usada e direcionada em outros horizontes. Fidelidades na arte, novas possibilidades e aprimoramento do dom que foi dado por Deus aos homens, independente de serem cristãos ou não. Acho que o mercado peca muito neste aspecto, foi tudo “resumido” em louvor e adoração. Não ouvimos canções com boa poesia, músicas de protesto, que falem de coisas atuais, infelizmente ouvimos muitas repetições, jargões. Mas .
não tenho mesmo preocupação com o mercado, não quero me vender entende?”
Gospel Beat – E você acha possível conciliar mercado e música de qualidade?
“Eu acho praticamente impossível conciliar mercado com música boa, de qualidade e teologicamente correta.”
Gospel Beat – Mas você não está sozinho nessa né? Tem o Céu na Boca, o João Alexandre…
“Particularmente vejo o João (João Alexandre) como um profeta, um profeta brasileiro”.
ele tem seus defeitos com eu, como qualquer um, mas é o que Martinho Lutero disse:
a verdade é a verdade seja na boca de uma mulher, uma mula ou até do diabo”.
Gospel Beat – Ótimo bate-papo, esclarecedor e muito inteligente. Deixe uma mensagem aos usuários do Blog da GB:
Temos que estar atentos a tudo: Se o planeta está aquecendo, se vai faltar água em 2050, se tivermos que reciclar o lixo, se a musica tem de ser boa e brasileira. Não podemos apenas nos contentar em estar “com as malas prontas para morar no céu”. Se permitirmos, este conformismo acaba atingido a música, na verdade as artes, porque a mentalidade dualista faz o cara se isentar de viver no mundo. Fica sem saber o que é arte, exposição, museu então, diz que teatro é coisa do capeta pois todo mundo finge…
Uma série de coisas que rolam. É responsabilidade dos líderes trabalharem isto pra fazer de cada cristão um cara correto no trabalho, que não sonegam impostos, orientar o artista que trabalha no meio artístico para exercer o papel de “sal” e etc. Aos poucos as coisas vão acontecendo, meu sonho é ver uma igreja mais brasileira e mais criativa, mais poética e mais engajada na sociedade sendo sal e luz, uma igreja mais história, mais teológica. Morrerei pela graça de Deus nesta luta.
Conheça mais de Ramon Goulart - acesse: http://www.myspace.com/ramongoulart
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